eduardo
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Mundo Segundo - Era Uma Vez
Era uma vez um grupo de amigosAlguns dos quais já nem se encontram vivosDesconhecidos do mundo em geralEm mim desempenharam um papel principal
Era uma vez um grupo de amigosDos quais alguns já nem se encontram vivosÉramos miúdos sonhadores,Insurrectos mas com valoresAlguns formaram-se doutores, advogados e professoresUns quantos jogadores e alguns independentesAgarrados a esta vida com unhas e dentesAmanhã o sol infelizmente não nasce para toda a genteDiz-me a morte sem face com a sua foice imponenteTu eras só um adolescente quando nos deixastePerguntei-me vezes sem conta por que razão saltasteSeria a depressão das drogas ou drama da famíliaO Rui maluco antes do suicídio tinha o vício de ler a bíbliaGrande Carlitos, o crânio, ninguém preenche o seu vazioNo dia que fez 18 apareceu morto a boiar no rioO Vilela da viela levou os pais à ruínaPrimeira droga que experimentou, aos 14, foi a heroína.
Refrão
Mano Ibrahim o teu sorriso ficará para sempreA boa disposição contagiava toda a genteNoites belas, aquelas, em que soprávamos velasÀs vezes fecho os olhos, consigo imaginar-me nelasVivo no mundo daqueles que partilham uma experiênciaDa dor vivida no interior duma sala de urgênciaMas mesmo assim num desisti ou baixei os braçosChorei e ri, frente a frente, a derrotas e fracassosEsvaziei uns quantos maços para matar a ansiedadeMas o fumo ainda era pior porque me matava de verdadeManos que cumprem pena, visualizem-se nesta rimaQuando saírem: moral, cabeça pra cimaO mundo dá oportunidades, cá fora à vossa esperaMas nem tudo são rosas, realidade sabe ser severaPara todos os que estão perdidos, sem rumo ou direcção:Pensam naquilo que foram, comparem com o são.
Refrão
Ontem éramos uns putos e jogávamos à bola,Fumávamos às escondidas nas traseiras da escolaViajávamos à borla, quantas fugas ao pica?Corríamos a pé todas as ruas da cidade invictaUns cestos nas Camélias, o skate em Matosas,Carrinhos de rolamentos, velocidades furiosasNada de drogas, só pura adrenalinaPor vezes um pouco de álcool, misturado com nicotinaO tempo foi passando e já não nos vemos tantoEu recordo os mesmos tanto cada um pra seu cantoTanto tempo após, pós estandarte da geraçãoEm memória de todos aqueles que já partiramNada se perde, manos, e tudo se transformaE a batalha é infinita para quem não se conformaDesejo-te uma vida longa, saúde e sucessoTu sê feliz, mano é tudo o que eu te peço.
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